Absolvido dos três crimes da época em que foi presidente, senador diz que decisão do Supremo passa 'a limpo o País'

Infográfico: Veja linha do tempo do impeachment de Collor
STF absolve ex-presidente Fernando Collor por falta de provas
Segundo
o senador, a decisão do Supremo Tribunal Federal, tomada por
unanimidade na quinta-feira (24), não só alivia as angústias que ele
sofria havia 23 anos, como também permite reescrever a história do país,
no período em que ele passou na Presidência e em que implantou, como
observou, "medidas macroeconômicos e estruturantes" da administração
federal, como a abertura comercial e a quebra de monopólios. Sem essas
medidas, disse ele, seria impossível a estabilização alcançada pelo
país.
Ao final do discurso, Collor citou Brecht: 'A verdade avança e nada a deterá'
“Estou absolvido de todas, absolutamente todas as
acusações. Estou inocentado de todas as delações. A ninguém é mais dado o
direito, salvo por reiterada má fé, de dizer o contrário. Todavia,
depois de mais de duas décadas de expectativas e inquietações pelas
injustiças a mim cometidas, cabe agora perguntar: quem poderá me
devolver tudo aquilo que perdi, a começar pelo meu mandato
presidencial?”, questionou Collor.
Para o senador, o julgamento
possui, em especial, "o mérito e a virtude de passar a limpo o país", no
que se refere ao período que ele passou à frente da Presidência da
República. Em sua opinião, este foi um dos períodos mais importantes da
história da República, uma vez que "consolidou o processo de
redemocratização política por meio da primeira eleição direta para
presidente da República, após 25 anos de governo sob um estado de
exceção".A decisão do Supremo, a seu ver, permitirá mais do que o resgate da justiça e da imagem de um homem público. Propiciará, também, a "reflexão da sociedade em geral sobre a verdade dos fatos e, em particular, de uma geração de jovens, que tão somente ouviram inverdades ou estudaram em livros tendenciosos por versões falseadas".
Além da decisão unânime do Supremo de absolver o ex-presidente de todas as acusações ainda pendentes, o tribunal resolveu, por cinco votos a três, absolvê-lo, também no mérito, de outros dois crimes, mesmo em detrimento de sua prescrição.
“Ou seja, mesmo nesse caso, a maioria julgou pela absolvição completa ou, em outras palavras, não houve, nos 16 votos proferidos nas duas votações quanto às preliminares e quanto ao mérito, nenhum voto pela minha condenação em relação aos três crimes de que me acusava o Ministério Público. E não poderia ser diferente”, afirmou Collor.
Ao final de seu pronunciamento, o senador lembrou o dramaturgo alemão Bertold Brecht, para quem "a verdade avança e nada a deterá": “É o caso exemplar do ditado vincit omnia veritas, ou seja, a verdade tudo vence.”
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