quarta-feira, 30 de abril de 2014

SENNA

O que você ainda não sabe sobre a morte de Senna, 20 anos depois

Livio Oricchio
Do UOL
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O que você ainda não sabe sobre a morte de Senna, 20 anos depois12 fotos

Em 12 capítulos, descubra "O que você ainda não sabe sobre a morte de Senna, 20 anos depois", escrito por Livio Oricchio, que revive os últimos passos do tricampeão Pisco del Gaiso/Folha Imagem

V

20 anos. Não parece. Remexo as fichas na minha memória onde registrei as marcantes experiências vividas naquela época da F1 e logo compreendo que as classificadas na letra S, especificamente as do envelope Ayrton Senna, não me cobram grande empenho para localizá-las. Estão intensamente vivas, quase se apresentam a mim.
As manipulo com a mente e sinto uma combinação de emoções: começa com um distante toque de tristeza, mas imediatamente superado por uma sensação de resignação, altivez e, por mais contraditória que pareça, até mesmo de conforto. Espíritos elevados como o de Senna confortam os que se lembram dele. E sua mensagem é tão palpável que absorvemos rapidamente sua energia positiva. Sim, claro, presentíssima!
 
Cerca de seis anos depois de Senna dar sequência a sua obra em outra esfera, aí pela temporada de 2000, redigi uma série de textos relatando o que vi naquele fim de semana no circuito Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, e, depois, nos dias seguintes, na porta do Instituto Médico Legal de Bolonha ou no tocante voo que trouxe o seu corpo para o Brasil.
 
Capítulo a capítulo
 
Tinha uma cópia desses textos comigo e a usei como base para escrever o que apresento a seguir. Você vai viajar comigo pelos vários capítulos da extensa obra, quase um minilivro. E, espero, se emocionar. 
 
Vamos ver juntos como o acidente que matou não um ídolo de milhões de brasileiros, mas um herói nacional, na curva Tamburello, às 14h17 do dia 1.º de maio, não foi um episódio isolado, mas o desfecho de uma história que, a rigor, começou um ano antes, quando Frank Williams, surpreendentemente, concordou com a mudança radical do regulamento da F1.
 
Sua equipe, àquela altura, impunha vantagem técnica à competição semelhante a da Mercedes na atual temporada e da Red Bull de 2010 até o ano passado. A proibição da maioria dos recursos eletrônicos adotada pela FIA em 1994 deixou os carros extremamente instáveis. Um ano antes, Senna definira o modelo FW15C-Renault da Williams, campeão do mundo com Alain Prost, como "carro do outro planeta". Sua McLaren-Honda era muito mais lenta. 
 

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