PAIS X ADOLESCENTES (CONTINUAÇÃO)
Veja temas que você já deveria ter conversado com seu filho adolescente
DROGAS LÍCITAS - Embora tão nocivos quanto as drogas ilícitas, o álcool e
o tabaco são mais aceitos socialmente ?muitas vezes, com a desculpa de
que acabam facilitando a interação e atenuam a timidez. Na adolescência,
os jovens se vêem diante de diversos caminhos e oportunidades até então
desconhecidos e, para que se sintam pertencentes a um grupo,
frequentemente, sentem necessidade de experimentar algo novo. "Não tem
jeito: tocar nesse assunto com os filhos não é tarefa fácil, mas o
diálogo baseado em uma postura compreensiva e esclarecedora surte muito
mais resultado do que cobranças e proibições", afirma a psicanalista e
pedagoga Frida Leão. Para a psicopedagoga Maria Teresa Sauer,
entretanto, a conversa não será suficiente se não for coerente com o
comportamento dos próprios pais. "A verdadeira informação vem do modelo
que os responsáveis passam. O exemplo ainda é o grande professor na
maioria dos ensinamentos que envolvem os adolescentes".
CYBERBULLYING - As picuinhas e brigas da infância podem
tomar proporções avassaladoras na adolescência, principalmente em tempos
de exposição exagerada nas redes sociais. A internet pode servir de
palco para confusões, fofocas, intrigas e bullying. "Muitas vezes, o
jovem se expõe em demasia, colocando fotos ousadas, conversando com
pessoas que não conhece, comentando sobre coisas muito intimas e virando
alvo fácil de pessoas mal intencionadas. Em outros casos, pode praticar
bullying contra colegas de escola pela rede, usando vídeos e fotos, e
inventando mentiras, o que causa um enorme sofrimento e mesmo a
necessidade de tratamento psicológico para conseguir lidar com a
situação", diz a psicóloga Cynthia Wood. Não são poucos os casos em que
todos ?praticante, pais, caluniado, escola? acabam pagando caro por
brincadeiras de mau gosto, já que alguns vão parar nos tribunais. É
preciso orientar os adolescentes sobre as consequências de seu
comportamento na rede, pois ambos os papéis ?agressor ou vítima? podem
ter resultados devastadores para toda a família...
PRECONCEITO - Para Luciana Barros de Almeira, presidente
da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), não se trata apenas
de lançar um discurso politicamente correto para os filhos, mas também
de aceitar que, no mundo atual, as pessoas têm liberdade e direito de
pensar, sentir e agir de acordo com seus princípios. "Não somos
obrigados a concordar com as regras de comportamento e conduta alheias,
mas precisamos respeitá-las e ensinar isso aos jovens. Quando algo nos
incomoda, temos o direito de nos afastar, mas sem denegrir a imagem do
outro", afirma Luciana. Na opinião da psicóloga Cynthia Wood, os pais
devem prestar atenção ao que falam e como falam. "E se perceberem que o
preconceito, seja lá qual for o alvo, vem do próprio adolescente, devem
esclarecer as dúvidas e procurar desmistificar o assunto, a fim de que o
filho veja que no mundo existe diversidade"...
SEXO - Doenças sexualmente transmissíveis e as consequências de uma
gravidez precoce são tópicos espinhosos, já que implicam aceitar que o
filho iniciou ou está prestes a começar a vida sexual. No entanto, são
obrigatórios. Apesar de as informações serem mais acessíveis hoje em
dia, quando o jovem pode contar com os pais e esclarecer suas dúvidas
fica mais fácil. "E se os adultos apostam na conversa aberta, sem mitos e
tabus, criam um círculo de confiança, que faz com que os adolescentes
se sintam seguros em pedir um preservativo ou um anticoncepcional sem
ter de fazer nada às escondidas", declara a psicóloga Cynthia Wood.
Levar os filhos para uma consulta médica com ginecologista ou hebiatra
(especialidade que cuida de adolescentes) também é imprescindível. Sobre
o momento ideal para abordar o tema, não há. "Fale quando surgir a
oportunidade: quando o jovem perguntar, se alguma campanha estiver sendo
veiculada pela mídia, se estiverem assistindo a algum filme... Só evite
invadir a privacidade alheia com perguntas impertinentes", diz Luciana
Barros de Almeida, presidente da ABPp (Associação Brasileira de
Psicopedagogia).
DROGAS ILÍCITAS - As drogas estão em todos os lugares e classes sociais.
Segundo a psicanalista e pedagoga Frida Leão, cabe aos pais acolher e
transmitir segurança aos filhos, criando um ambiente em que o tema possa
ser abordado e discutido. Assim o adolescente terá a oportunidade de
expor sentimentos e opiniões para que, junto ao seu grupo familiar,
possa reforçar seus valores e sua autoestima. "O que é considerado tabu
acaba não sendo conversado, elaborado e interpretado, impossibilitando a
aprendizagem", fala Frida. Os pais devem também se manter informados
sobre o tema ?inclusive o surgimento de novas drogas? para falar com
propriedade sobre ação e reação...
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